De um lado Zé Pital escreve um artigo (http://zepital.blogspot.com/2011/09/bobos-da-corte.html) condenando a prática da utilização de dinheiro público pelo Convention Bureau para beneficiar principalmente sua diretoria, e mostra que um antigo jornal que denunciava as ações da prefeitura num dia, no outro se transformou em prestadora de serviços municipal. Do outro, o recém criado blog AmamosParaty (http://amamosparaty.blogspot.com/2011/09/senhores-vereadores-parem-essa-obra-e.html), condena a Casa Azul por armar uma necessidade para captar recurso, com a aval da Prefeitura, Iphan e do Convention em fazer uma obra num espaço sagrado, até então, funcional e agradável.Ambos os artigos nos mostram claramente ou a falta de capacidade da Prefeitura gerir projetos estratégicos para o município, sejam de ordem turística ou urbanística, ou, na pior das hipóteses, a manipulação de instituições locais através da utilização de recursos públicos.
Como o dinheiro está à rola na prefeitura, por que não fazer um agradinho aqui e outro ali? Isso até seria legítimo, mas a prefeitura não possui uma secretaria de turismo e uma de obras? Então por que não fecha essas duas secretarias de uma vez, uma vez que está passando suas atribuições para outrem, sem a utilização de concorrência pública? É simples: como manteria o silêncio dos funcionários, dos comissionados, dos contratados e parceiros? Esse governo é assim, ele vai comprando todos que de uma forma ou de outra poderia questioná-lo. É o famoso calaboca, ou arrego, no jargão do jogo do bicho, chegando no dia-a-dia paratiense. Estamos progredindo.
Vou dar um exemplo de como funciona a lógica desse governo através de um relato de um amigo meu, comerciante há mais de 30 anos:
Paraty estava na baixa baixíssima e esse amigo não sabia como honrar suas contas. Passa um mês, dois, três e nada de melhorar. Ele, inconformado, reclamou com amigos. Suas desventuras chegaram aos ouvidos do governo municipal. O grande líder não teve dúvida, foi ao comércio desse comerciante, ouviu suas queixas, e soltou essa pérola de solução:
- Se você fechar as portas, não se preocupe, eu tenho um emprego pra você na prefeitura.
O que percebo nessas “parcerias” entre a prefeitura e “instituições” é que o que importa mesmo é o esquema. E esse se traduz assim: você deve fazer mas não faz. Se faz, faz mal feito. Eu posso fazer bem feito. Me dá o dinheiro que eu faço. Se me der, está tudo certo. Todos ficaremos felizes.
E a responsabilidade social? Vale tudo? Só não vale dançar homem com homem e mulher com mulher? Onde foi parar a legalidade, a transparência, a seriedade, o respeito do dinheiro público e aos nossos vizinhos? Para os amigos tudo, e para os outros a lei?
Essa prática ficou muito clara e feia quando um empresário de turismo de Paraty abriu um jornal e tornou público os absurdos que aconteciam na prefeitura. Depois de três edições batendo, ele parou com o jornal sem nenhuma explicação (http://zepital.blogspot.com/2011/09/o-preco-do-silencio.html). Seis meses depois ele abriu outra firma e hoje é um dos felizardos famigliares que tem contrato milionário com a prefeitura.
Não há corrupção de mão única. Vemos que a capacidade financeira da prefeitura é tão sedutora, que aqueles que deviam cobrar e até questionar o descalabro que se instalou em nosso município, simplesmente, sob a burca de boa vontade e intenções imaculadas, capitulam aos pés das possibilidades milionárias que o poder público dispõe.
E vejam! Esse não é um privilégio de OSCIPS, instituições, como o Convention e a Casa Azul, que miram claramente no dinheiro público, mas a própria Câmara de Vereadores, que deveria ser a guardiã do interesse do cidadão menos favorecido, mostra-se cega e, também, incapacitada de reverter esse triste quadro.
Até quando esperar? Até me ajoelhar, esperando a ajuda de Deus?






