Depois do reposionamento dos filiados no início de Outubro, agora dá-se início aos namoros e possíveis alianças com vista às eleições municipais de 2012. Pelo menos seria assim... Mas em Paraty, face a continuidade governamental com a reeleição de Zezé, a manutenção da candidatura de Casé e a falta de organização de outras lideranças que poderiam ter se fortalecido nesses oito anos, o quadro já se encontra muito bem definido, e pouco mudará até maio, quando acontecerão as convenções que oficializarão as candidaturas e alianças.
Vou tentar resumir como estão as coisas, sob meu ponto de vista.
1) Oposição
A oposição encontra-se organizada e unida em torno do propósito claro de ganhar a eleição e promover as mudanças necessárias para Paraty. Entenda-se por oposição o PT, que manterá a candidatura de Casé, mais dez partidos menores, entre eles o PV e o PDT, que comporão uma frente partidária contrária ao governo. O grupo já está se reunindo há mais de três meses para discussão do plano de governo, faz reuniões regularmente e tem agido com planejamento e coerência de ações.
2) Situação
Liderado por Valdecir, que será lançado pelo PP, aliado com mais alguns partidos, entre eles o PTB do prefeito e o PSD do Pastor Isaques, perdeu muito na indefinição de Zezé, cujo silêncio deixou aparecer a candidatura de Dedé e Luisão, rachando as bases da situação e confundindo o eleitor. A confusão persiste e Valdecir perderá muito sendo secretário de obras, tornando-se a grande vidraça governamental no momento da campanha.
3) As indefinições
A princípio Dedé deverá se lançar pelo PSC candidato à prefeito, mas como não está decolando nas pesquisas, provavelmente ele irá se unir com Valdecir, já que fazem parte do mesmo grupo político. Se isso acontecer Tuco Gama, que estava sendo cogitado para vice dele sai de cena com PR, dando lugar para Dedé. O PSB, que iria dar a legenda para Dedé, diante da preferência do candidato pelo PSC, que foi entendida como rasteira pelo partido, também saiu da provável aliança, devendo apoiar o candidato de oposição.
O PMDB, noiva cobiçada por oposição e situação, até tem uns malucos que defendem candidatura própria, o que se acontecer se configurará num harakiri baiano cujo resultado prático será apenas estar fora do governo, seja de um ou de outro lado, e esvaziar a legenda do partido. O fato é que apesar de arregimentar grande quadro de filiados, e ter a maior bancada da câmara de Vereadores, o PMDB local personalizou-se em Ze Cláudio, cuja sucessiva queda de votação e a falta de um planejamento de ação partidária consistente, enquanto foi prefeito, canditato à prefeito e a deputado federal e presidente do PMDB, no decorrer de quase 10 anos, anulou totalmente o potencial do partido ser vitorioso numa possível campanha.
Mas o PMDB poderá reverter essa situação, se der oferecer o vice, exigir participação no governo vitorioso, alinhavar uma possível sucessão e deixar de lado a personalização, governando com responsabilidade e comprometido com os anseios da população. Por ser o maior partido do município é necessário que se reestruture como agremiação ouvindo sua base, evitando conduzíli baseado nos interesses pessoais de um ou de outro como temos visto há muito tempo. Se o câncer da personalização e manipulação partidária for extirpado, é possível que o PMDB seja a bola da vez daqui a alguns anos. Sem isso, está fadado a definar, perdendo quadros importantes para outras legendas que, ao contrário, estão se fortalecendo, e cujas bandeiras estão muito bem definidas.
De qualquer forma, será muito difícil Valdecir levar a noiva para o altar. Numa reunião realizada em agosto com elementos da executiva e do diretório, quem até alentão efetivamente poderia decididir para onde o partido vai, de 22 participantes apenas quatro se mostrarm favorável à candidatura própria. Do restante, maioria absoluta deixou claro que a única coisa que o PMDB não poderia fazer seria se juntar à situação.
Mas parece que Valdecir está muito confiante com uma aliança com o PMDB, apesar de nunca ter se reunido com a executiva do PMDB, ou sequer enviar um ofício de aproximação, ao contrário do PT de Paraty. A razão dessa confiança só pode ser se ele, juntamente com o deputado federal do PMDB, Fernando Jordão, que recebeu o apoio do Valdecir nas eleições de deputado, e elementos do PMDB local que ajem isoladamente movidos a interesse pessoal, estão tentando intervir no partido na estância estadual ou federal, para dissolver o diretório municipal e decidir lá por cima quem o PMDB deverá apoiar e quem deverá ser o vice. Se isso acontecer, Valdecir corre o risco de casar e na noite de núpcias ter que se contentar em comer o vestido.
Excluído PSC, do Dedé, e PMDB, a noiva mais cobiçada, sobram os partidos com donos. Aqueles que vão para o lado que oferecer mais (dinheiro, material de campanha, cargos...), em casos de partidos que não possuem quase filiados ou que possuem pouca expressão de votos, ou aqueles que possuem muita expressão de votos e que vão se unir ao candidato que carregar mais legenda, ou seja, o candidato que estiver indo bem nas pesquisas, ajudando, por inércia, que esse partido consiga fazer mais legendas com a consequente eleição de um ou mais vereadores.
Se esses partidos tivessem ideário, com certeza eles já estariam aliados a uma ou outra força, ou se colocando como opção para disputar o poder executivo. Mas, para valorizar o passe, deixaram a decisão para última hora a espera do melhor lance do leilão.
Abaixo estou postando uma matéria que saiu semana passada no Diário do Vale falando do Valdecir que em grande parte justifica minha tese. Espero que gostem!